Meu bebê nasceu prematuro

Meu bebê nasceu prematuro, o que acontece nos seus olhos?

Quando o bebê nasce prematuro tem necessidade de acompanhamento oftalmológico, pois muitos são os fatores que podem alterar a sua visão

Toda criança que nasce prematura, ela necessita de muitos cuidados dentro da Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal (UTIN), para que possa sobreviver. Quanto mais prematuro e menor o peso de nascimento, maior será a luta pela sua sobrevivência. Essa luta tem início com a necessidade de utilização de aparelhos que permitam ao bebê receber oxigênio de forma passiva. Isto porque os pulmões e a caixa torácica ainda não estão “prontos” para o prematuro respirar por si próprio.

Como o aparelho respiratório ainda não está totalmente formado, a retina, que é uma membrana transparente, formada de várias camadas de células, entre as quais os fotorreceptores e células nervosas muito importantes para a visão, também ainda não está completamente pronta para exercer a função visual. Isso acontece porque os vasos sanguíneos, que levam sangue e oxigênio para as células retinianas ainda não estão desenvolvidos.

Quanto mais baixo for a idade gestacional e o peso de nascimento do prematuro, maior será a  área retiniana  avascular, ou seja, sem vasos sanguíneos. Para complicar um pouco mais essa situação, o oxigênio, indispensável para a sobrevivência do bebê, pode ser “vilão” para a visão.

Enquanto o bebê estiver recebendo oxigênio por via artificial, seja por meio da ventilação mecânica, Cpap (contiunous positive airway pressure), caixa de O2  ou por meio do cateter nasal, os vasos retinianos estão com o seu desenvolvimento alterado. Isso pode representar grave risco para a visão do bebê.  Isso ocorre porque a doença ocular do prematuro, denominada de Retinopatia da Prematuridade, em sua forma mais grave pode cegar o bebê. Para tentar impedir que isso ocorra, os oftalmologistas treinados nessa doença são chamados pelos neonatologistas da UTIN para exame periódico de fundo de olho nessas crianças.

Como ocorre o exame periódico de fundo de olho nos prematuros

Os bebês têm sua pupila dilatada por meio de colírios apropriados e o oftalmologista examina toda a retina da criança, utilizando um aparelho denominado de oftalmoscópio binocular indireto e uma lente que permite ao médico a visualização de toda a retina. Esse exame deve ser realizado até que toda a retina esteja vascularizada, o que pode levar muito tempo e muitos exames. Se alguma alteração for detectada, e por si só não se resolver, necessitará de intervenção médica.

Por meio de injeção dentro do globo ocular, laser ou crioterapia (caso não haja acesso ao laser) a região da retina que apresenta o problema é tratada. Algumas vezes esse tratamento não é suficiente e a doença continua a progredir, levando a criança ao Descolamento da Retina, que é grave, podendo causar cegueira, mesmo com a realização de cirurgia maior, a Vitrectomia Pars Plana (VPP).

Por tudo isso, os bebês prematuros devem ser examinados dentro da UTIN e após a alta dela, caso a retina ainda apresente áreas avasculares, até que seja totalmente completa a vascularização retiniana, o que pode levar algum tempo.

O cuidado com a visão do bebê prematuro deve se estender por toda a infância, pois essas crianças podem apresentar miopia elevada e estrabismo convergente, problemas que podem afetar a visão da criança, caso não sejam tratados corretamente.

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